Guardar o sábado ou o domingo?

Guardar o sábado ou o domingo?

Deve-se guardar o sábado ou o domingo?

Deus «abençoou o dia de Sábado e o declarou sagrado»

É verdade. Conforme o livro do Êxodo, Deus ordenou que o sábado fosse santificado:

1. Então Deus pronunciou todas estas palavras:
8. Lembra-te de santificar o dia de sábado.
9. Trabalharás durante seis dias, e farás toda a tua obra.
10. Mas no sétimo dia, que é um repouso em honra do Senhor, teu Deus, não farás trabalho algum, nem tu, nem teu filho, nem tua filha, nem teu servo, nem tua serva, nem teu animal, nem o estrangeiro que está dentro de teus muros.
11. Porque em seis dias o Senhor fez o céu, a terra, o mar e tudo o que contêm, e repousou no sétimo dia; e por isso. o Senhor abençoou o dia de sábado e o consagrou
(Ex. 20,1.8-11).
Dessa forma, o sábado recorda o repouso de Deus no sétimo dia da criação, a libertação de Israel da escravidão do Egito e a Aliança que Deus estabeleceu com o povo.[1]

Por que, para os cristãos, o sábado é substituído pelo domingo?

Porque o domingo é o dia da ressurreição de Cristo. Como «primeiro dia da semana» (Mc 16,2) o cristão evoca a primeira criação. Enquanto «oitavo dia» da semana que segue o Sábado, significa a nova criação, inaugurada com a Ressurreição de Cristo. Foi por este motivo que o domingo tornou-se para os cristãos o primeiro de todos os dias: o dia do Senhor.[2]

Desde quando se comemora o domingo?

Vários textos bíblicos indicam que já no tempo dos apóstolos o domingo era celebrado  como o novo Dia do Senhor. Em Atos 20,7, lemos: “No primeiro dia da semana (domingo), Paulo falava…”. Da mesma forma, na Primeira Carta aos Coríntios encontramos: “No primeiro dia da semana, cada um de vós ponha de parte…” (1Cor 16,2). No último livro da Bíblia, no Apocalipse (1,10) já se usava a denominação do domingo como sendo o “Dia do Senhor”.

O sábado bíblico, por sua vez, está relacionado com descanso e com o “sétimo” dia. O escritor sagrado quis demonstrar que, após trabalhar seis dias, era justo descansar no sétimo e se dedicar à divindade. Por isso a Igreja católica respeita os que celebram este dia. Entretanto, desde o primeiro século ela celebra o domingo como o dia histórico do “novo Adão”, do Senhor ressuscitado.[3]

O domingo no ano litúrgico

A partir do domingo a Igreja celebra a cada oitavo dia o mistério pascal.

Em cada semana, no dia que a Igreja chamou “domingo”, comemora a ressurreição do Senhor. Ela celebra também uma vez por ano, unida à lembrança da paixão do Senhor, a Páscoa, a maior das solenidades.[4] O centro do tempo litúrgico é o Domingo, fundamento e núcleo de todo o ano litúrgico, que tem o seu cume na Páscoa anual, a festa das festas.[5]

Por isto, neste dia os fiéis devem se reunir em assembléia para ouvir a palavra de Deus e participar da eucaristia. Dessa forma recordam a paixão, a ressurreição e a glória do Senhor Jesus. Nesse dia também dão graças a Deus que os “gerou de novo pela ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos para uma esperança viva” (1Pd 1,3). Assim, pois, o domingo é o principal dia de festa para os cristãos. Deve ser lembrado como dia de devoção, de alegria e de abstenção do trabalho. O domingo é o fundamento e o núcleo do ano litúrgico.[6]

Como tornar santo o domingo

O cristão santifica o domingo e as festas de preceito, participando na Eucaristia do Senhor e abstendo-se das atividades que o impedem de prestar culto a Deus. Estas atividades comumente perturbam a alegria desse dia do Senhor e o devido descanso da mente e do corpo. São permitidas, entretanto, as atividades ligadas a necessidades familiares ou a serviços de grande utilidade social. Todavia, não sejam criados hábitos prejudiciais à santificação do domingo, à vida de família e à saúde.[7]

 Obrigação de participar da missa aos domingos

15. Os fiéis estão obrigados nos domingos e dias de festa a participar na divina liturgia, ou, segundo as prescrições ou costume do próprio rito, na celebração dos divinos louvores. E para que mais facilmente possam cumprir esta obrigação, estabelece-se que o tempo útil para o cumprimento deste preceito decorre a partir da tarde da vigília até ao fim do domingo ou da festa. Com empenho se recomenda aos fiéis que nestes dias, ou até mais freqüentemente, ou mesmo diariamente, recebam a sagrada eucaristia.[8]

Enfim, a Igreja obriga os fiéis a participar na santa Missa cada Domingo e nas festas de preceito, e recomenda a participação nela também nos outros dias.[9] Quando se entende o significado da celebração eucarística, esse dever se torna um dom de Deus para auxílio dos filhos ainda peregrinos neste mundo.

Por que é importante reconhecer também civilmente o Domingo como dia festivo?

Para que todos possam gozar do repouso suficiente e do tempo livre, que lhes permitam cuidar da vida religiosa, familiar, cultural e social. É também oportunidade para o cristão dispor de tempo propício à meditação, à reflexão, ao silêncio e ao estudo. Nesse dia ele pode, ainda, fazer boas obras, assim como servir os doentes e os anciãos.[10]

Deve-se, enfim, guardar o sábado ou o domingo? Os cristãos guardam o domingo, como lembrança da razão de sua fé: a Ressurreição! (cf. 1Cor 15,14).


[1] Catecismo da Igreja Católica, pergunta 450.

[2] Catecismo da Igreja Católica, pergunta 452.

[3] Padre Vicente Wrosz. Respostas da Bíblia, 59 ed. Porto Alegre: Padre Reus: 2006, p. 45-46

[4] Concílio Vaticano II, Constituição Sacrosanctum concilium, sobre a sagrada liturgia, nº 102.

[5] Catecismo da Igreja Católica, pergunta 241..

[6] Concílio Vaticano II, Constituição Sacrosanctum concilium, sobre a sagrada liturgia, nº 106.

[7] Catecismo da Igreja Católica, pergunta 453.

[8] Concílio Vaticano II, Concílio Vaticano II, decreto Orientalium Ecclesiarum, sobre as igrejas orientais católicas, n° 15.

[9] Catecismo da Igreja Católica, pergunta 289.

[10] Catecismo da Igreja Católica, pergunta 454.