Sentido das curas realizadas por Jesus

Sentido das curas realizadas por Jesus

Das curas à saúde ou das curas ao Messias?

Hoje os cristãos compreendem que o mais importante é acreditar no poder de Deus ou acreditam em Deus na medida em que ele lhes dê o que pedem, especialmente as curas? No tempo de Jesus, o povo corria atrás dele em razão das curas. Maravilhados com os milagres que ele havia realizado 33 toda a cidade estava reunida diante da porta” (Mc 1,22). E hoje? Não é difícil presenciar cenas semelhantes.

Procurar -Jesus entra em cena. Chama os primeiros discípulos. Depois, chegam a Cafarnaum. Ali Jesus ensina e também cura um endemoniado. “34 Ele curou muitos que estavam oprimidos de diversas doenças, e expulsou muitos demônios” (Mc 1,34). Início de ministério, segundo Marcos: Jesus fala de Deus e demonstra o poder dele, curando. Podia ser melhor? Maravilhoso! Da mesma forma que naquele tempo operou estas maravilhas, pode também, hoje realizá-las. É preciso procurá-lo com fé. 36 Simão e os seus companheiros saíram a procurá-lo. 37 Encontraram-no e disseram-lhe: ‘Todos te procuram’” (Mc 1,36-37). Talvez, para muitos de nós, falte procurá-lo com a mesma fé daquele povo. Desta forma, quem sabe ele possa realizar as curas de que precisamos.

Pregar - Jesus continua sua ação inaugural de forma apoteótica: toma conhecimento de que a sogra de Pedro está doente, vai até a casa dela e a cura. “31 Aproximando-se ele, tomou-a pela mão e levantou-a; imediatamente a febre a deixou e ela pôs-se a servi-los” (Mc 1,31).  Relata Marcos que formou-se uma multidão para vê-lo e pedir curas (Mc 1,34). As curas atraem, como hoje. Mas, as curas que Jesus faz tem a finalidade apenas de cura? Não. Tanto que quando ele chama os discípulos para irem a outras aldeias, não diz que é para ir realizar curas. Ele disse:”Vamos às aldeias vizinhas, para que eu pregue também lá, pois, para isso é que vim” (Mc 1,38). Foi para pregar. As curas são instrumentos da pregação, para que acreditem em sua palavra e em seu poder.

Filho de Deus. Fim do dia. De madrugada Jesus sai para orar.  Pedro o procura, encontra e diz que o povo já estava ali sedento de ver mais milagres. Mas Jesus não perde  foco de sua missão.  Percebeu para qual finalidade ele veio?  “9 Que é mais fácil dizer ao paralítico: Os pecados te são perdoados, ou dizer: Levanta-te, toma o teu leito e anda?  10 Ora, para que conheçais o poder concedido ao Filho do homem sobre a terra (disse ao paralítico), 11 eu te ordeno: levanta-te, toma o teu leito e vai para casa” (Mc 2,9-11). Ele desejava ser reconhecido como Filho de Deus, como aquele que detinha todo o poder sobre a terra. A fé em Jesus, o Filho de Deus, atestada pelo testemunho de vida, nos salvará.

Boa nova como centro - Aqui está o ponto essencial, segundo o evangelho de Marcos. Jesus não quis ser reconhecido apenas como um fazedor de milagres. Se o quisesse, poderia ter continuado a dar o espetáculo das curas ao povo sedento. Mas, não. Ele sai para aldeias vizinhas.  Ele veio sobretudo para anunciar a Boa Nova. Centrado,  não? De fato, centrado, não tangenciou: foi para outros lugares proclamar a Boa Nova. Os milagres não eram o ponto central de sua missão. Ele precisava ser reconhecido como o Messias, como o Filho de Deus. Quem nele cresse seria salvo.

Saber e viver – Levar  a boa nova para ser conhecida ou também aceita vivencialmente? Aceita e vivida. Conhecimento sobre Deus não traz lá grande vantagem para a pessoa, pois, até os demônios sabem de Deus. 19 Tu crês que há um só Deus? Fazes bem! Mas também os demônios crêem isso, e estremecem de medo” (Tg 2,19). Levam alguma vantagem nisso? Não,continuam sendo demônios! Assim, o divisor de águas entre nós e os demônios, em relação ao que sabemos sobre Deus, é o destino deste conhecimento. A vivencia da Palavra.

Que fazemos com a Boa Nova que já está  em nosso meio? Continuamos apenas clamando curas ou também glorificamos a Deus? João Batista já alertava para a missão do Ungido. Quando prenderam João, Jesus saiu do silêncio e começou a pregar. Iniciou dizendo: “Completou-se o tempo e está próximo o reino de Deus: arrependei-vos e crede na Boa Nova” (Mc 1,14-15). Que Boa Nova? Ele? Sim, a Boa Nova apareceu em Jesus Cristo.[1]

Que as manifestações de Deus em nosso dia a dia, nos confirme cada vez mais  na fé em seu Filho, Jesus Cristo.

 Eu, diante desta realidade

 Curas de Jesus
29 Logo que saíram da sinagoga, foram com Tiago e João para a casa de Simão e André.
30A sogra de Simão estava de cama, com febre, e logo falaram dela a Jesus.
31 Ele aproximou-se e, tomando-a pela mão, levantou-a; a febre a deixou, e ela se pôs a servi-los. (Mc 1,29-31).

Eu também, nas enfermidades, mantenho minha confiança no poder de Deus e desejo que se realize a vontade dele e não a minha?

Os demônios sabiam de Deus
34 Ele curou muitos que sofriam de diversas enfermidades; expulsou também muitos demônios, e não lhes permitia falar, porque sabiam quem ele era. (Mc 1,34).

Sei, firmemente, o que representa Jesus para minha vida?

Vida passa rápido
6 Meus dias correm mais rápido que a lançadeira  do tear e se consomem, tendo acabado o fio.(Jo, 7,6).

A vida passa… e o que estou construindo de modo a obter mérito quando chegar diante de Deus?

Milagres e Boa Nova.
 36Simão e os que estavam com ele se puseram a procurá-lo.
37 E quando o encontraram, disseram-lhe: “Todos te procuram”.
 38Jesus respondeu: “Vamos a outros lugares, nas aldeias da redondeza, a fim de que, lá também, eu proclame a Boa Nova. Pois foi para isso que eu saí”.
39 E foi proclamando nas sinagogas por toda a Galiléia, e
expulsava os demônios.(Mc 1,36-39).

Jesus não queria ser reconhecido apenas como um fazedor de milagres. Que tipos de reconhecimentos geralmente procuro?

Evangelizar é uma imposição
16 Pois, anunciar o evangelho não é para mim motivo de glória. É antes uma necessidade que se me impõe. (1Cor 1,19).

Se Jesus mandou seus discípulos – que somos nós – evangelizar, estou cumprindo esta missão?

 Minha prece

Senhor, as pessoas sofrem como Jó. As enfermidades campeiam pelo mundo.
Por que não curas a todos?
Porque as curas andam junto  com a aceitação do Messias.
Curas não são moeda de troca para se ter fé.
Muitas pessoas desafiam Deus a fazer milagre.
Deviam, primeiro, desafiar a firmeza da própria fé em Deus,
e não a firmeza de que ele vai operar milagres.
Sabemos  que todo sofrimento tem uma causa.
E essa causa, para muitas doenças, a ciência comumente explica.
Portanto, a causa do sofrimento  não está em Deus.
Mas, por que Deus não intervém e tira esta causa?
Certamente ele não o faz porque, na sua sabedoria infinita, muito maior que a nossa,
entende que é melhor não interferir, apesar do sofrimento.
E se ele que entende tudo, entende assim, quem somos nós para duvidar do que seja melhor?
Senhor, que eu não fique insistindo contigo, pedindo milagre, como condição para eu ter fé.
Ao contrário, que eu tenha fé, apesar de não ver o milagre que eu gostaria.
Se não vierem os milagres, longe de serem motivo para desconfiar te tua sabedoria.
Pelo contrário, seja motivo para compreender a pequenez de minha compreensão.
Senhor, aumenta minha fé.



[1] Dicionário Enciclopédico da Bíblia, A Van Den Born (redator), Trad. Frederico Stein.3 ed.  Petrópolis: Vozes, 1971, p. 514.