Sentido das curas realizadas por Jesus

Sentido das curas realizadas por Jesus

Das curas à saúde ou das curas ao Messias?

Quando prenderam João, Jesus saiu do silêncio e começou a pregar. Iniciou dizendo: “Completou-se o tempo e está próximo o reino de Deus: arrependei-vos e crede na Boa Nova” (Mc 1,14-15). Que Boa Nova? Ele? A Boa Nova apareceu em Jesus Cristo.[1]

Jesus entra em cena. Chama os primeiros discípulos. Depois, chegam a Cafarnaum. Ali Jesus ensina e também cura um endemoniado (Mc 1,21). Início de ministério, segundo Marcos: Jesus fala de Deus e demonstra o poder dele, curando. Podia ser melhor? Maravilhoso!

Jesus continua sua ação inaugural de forma apoteótica: toma conhecimento de que a sogra de Pedro está doente. Vai até a casa dela e a cura (Mc 1,31).  Relata Marcos que formou-se uma multidão para vê-lo e pedir curas (Mc 1,34). As curas atraem, como hoje. Mas, as curas que Jesus faz tem uma finalidade apenas de cura?

Fim do dia. De madrugada Jesus sai para orar.  Pedro o procura, encontra e diz que o povo já estava ali sedento de ver mais milagres. Jesus diz: “Vamos a outros lugares….  a fim de que, lá também, eu proclame a Boa Nova. Pois foi para isso que eu saí” (Mc 1,38). Jesus não perde  foco de sua missão.  Percebeu para qual finalidade ele veio? Não foi para operar milagres.

Aqui está o ponto essencial, segundo o evangelho de Marcos. Jesus não quis ser reconhecido apenas como um fazedor de milagres. Se o quisesse, poderia ter continuado a dar o espetáculo das curas ao povo sedento. Mas, não. Ele veio sobretudo para anunciar a Boa Nova. Centrado,  não? De fato, centrado não tangenciou: foi para outros lugares proclamar a Boa Nova. Os milagres não eram o ponto central de sua missão. Ele precisava ser reconhecido como o Messias, como o Filho de Deus. Quem nele cresse seria salvo.

Permanece esse objetivo? Hoje os cristãos compreendem isto ou muitos ficam correndo atrás de Deus apenas pedindo milagres, da mesma forma como muitos correram atrás de Jesus?

É indubitável que a cena se repete. E o pior: muitos se revoltam porque Deus não os atende como gostariam, da mesma forma como Jesus não atendeu a todos os que o esperavam naquele momento. Por que não continuou com as curas? Porque, mais importante do que as curas, era as pessoas aceitarem a Boa Nova.

Levar para ser conhecida ou aceita? Aceita. Conhecimento sobre Deus não traz lá grande vantagem para a pessoa, pois, até os demônios sabem de Deus (Mc 1,34).  Levam alguma vantagem nisso? Não,continuam sendo demônios! Assim, o divisor de águas entre nós e os demônios, em relação ao que sabemos sobre Deus é o destino deste conhecimento.

Que fazemos com a Boa Nova que já está  em nosso meio? Ficamos apenas clamando curas ou também cantamos hosanas ao Filho de Davi?

 Eu, diante desta realidade

 Curas de Jesus
29 Logo que saíram da sinagoga, foram com Tiago e João para a casa de Simão e André.
30A sogra de Simão estava de cama, com febre, e logo falaram dela a Jesus.
31 Ele aproximou-se e, tomando-a pela mão, levantou-a; a febre a deixou, e ela se pôs a servi-los. (Mc 1,29-31).

Eu também, nas enfermidades, mantenho minha confiança no poder de Deus e desejo que se realize a vontade dele e não a minha?

Os demônios sabiam de Deus
34 Ele curou muitos que sofriam de diversas enfermidades; expulsou também muitos demônios, e não lhes permitia falar, porque sabiam quem ele era. (Mc 1,34).

Sei, firmemente, o que representa Jesus para minha vida?

Vida passa rápido
6 Meus dias correm mais rápido que a lançadeira  do tear e se consomem, tendo acabado o fio.(Jo, 7,6).

A vida passa… e o que estou construindo de modo a obter mérito quando chegar diante de Deus?

Milagres e Boa Nova.
 36Simão e os que estavam com ele se puseram a procurá-lo.
37 E quando o encontraram, disseram-lhe: “Todos te procuram”.
 38Jesus respondeu: “Vamos a outros lugares, nas aldeias da redondeza, a fim de que, lá também, eu proclame a Boa Nova. Pois foi para isso que eu saí”.
39 E foi proclamando nas sinagogas por toda a Galiléia, e
expulsava os demônios.(Mc 1,36-39).

Jesus não queria ser reconhecido apenas como um fazedor de milagres. Que tipos de reconhecimentos geralmente procuro?

Evangelizar é uma imposição
16 Pois, anunciar o evangelho não é para mim motivo de glória. É antes uma necessidade que se me impõe. (1Cor 1,19).

Se Jesus mandou seus discípulos – que somos nós – evangelizar, estou cumprindo esta missão?

 Minha prece

Senhor, as pessoas sofrem como Jó. As enfermidades campeiam pelo mundo.
Por que não curas a todos?
Porque as curas andam junto  com a aceitação do Messias.
Curas não são moeda de troca para se ter fé.
Muitas pessoas desafiam Deus a fazer milagre.
Deviam, primeiro, desafiar a firmeza da própria fé em Deus, e não a firmeza de que ele vai operar milagres. O foco está colocado no lugar errado.
E se Deus não interferir no curso da história daquela pessoa, dando-lhe a cura como muitos gostariam? Significa que aquela pessoa não tinha fé? Deus quis que a pessoa sofresse?
Não. Com certeza absoluta Deus não  manda mal a ninguém.
Então por que as pessoas sofrem?
Não sabemos direito. Sabemos  que todo sofrimento tem uma causa. E essa causa, a ciência comumente explica.
Portanto, a causa do sofrimento  não está em Deus.
Mas, por que Deus não intervém e tira esta causa?
Certamente ele não o faz porque, na sua sabedoria infinita, muito maior que a nossa, entende que é melhor não interferir, apesar do sofrimento. E se ele que entende tudo, entende assim, quem somos nós para duvidar do que seja melhor?
Senhor, que eu não fique insistindo contigo, pedindo milagre, como condição para eu ter fé. Ao contrário, que eu tenha fé, apesar de não ver o milagre que eu gostaria.
Que as curas não venham em primeiro lugar na hierarquia de minha fé ou de minha oração.
Já não estavam em primeiro lugar no ministério de Jesus.
Primeiro, minha fé. Se as curas vierem, serão um motivo a mais para te bendizer.
Se não vierem, longe de serem motivo para desconfiar te tua sabedoria. Pelo contrário, seja motivo para compreender a pequenez de minha compreensão.
Senhor, aumenta minha fé.
Que assim seja.



[1] Dicionário Enciclopédico da Bíblia, A Van Den Born (redator), Trad. Frederico Stein.3 ed.  Petrópolis: Vozes, 1971, p. 514.