Dízimo como termômetro

Dízimo como termômetro

Dízimo como termômetro

     Extratos de um contundente artigo de Dom Redovino Rizzardo sobre a participação dos católicos no dizimo.

Perda dos sacramentos – Escreve ele:[1] No dia 25 de maio, os órgãos de imprensa do Brasil informaram que as contribuições do Partido dos Trabalhadores aumentaram 353% de 2009 a 2011.

     Quatro meses após, no dia 20 de setembro, alarmados pelo grande número de pessoas que, embora se declarando católicas, deixam de contribuir com o dízimo, os bispos alemães publicaram um decreto determinando que, quem assim age, perde o direito de exigir os sacramentos e os serviços prestados pela Igreja.

Igreja, não! – Para a Conferência Episcopal Alemã, continua o prelado, «não é possível separar a comunidade espiritual da Igreja institucional». É impossível manter um relacionamento correto com Deus sem olhar para os irmãos que caminham ao nosso lado. Não tem sentido a decisão – que não passa de desculpa – tomada por alguns cristãos, que proclamam: «Cristo, sim; Igreja, não!».

Financeiramente – A igreja, para crescer depende da participação de cada um não apenas espiritualmente.  Se não contribuo pastoral e financeiramente, a minha adesão à fé é ilusão e demagogia. Quando não passa pela carteira, o meu amor se assemelha a «sino ruidoso e a címbalo estridente» (1Cor 13,1).

Só rezar – É muito mais cômodo rezar o rosário, participar de cultos e celebrações, confiar em objetos religiosos, fazer procissões e romarias, etc., do que devolver o dízimo. «O apego ao dinheiro é a raiz de todos os males» (1Tm 6,10).

Aplicação – Evidentemente, isso vale também e sobretudo para quem recolhe o dízimo. Seria um absurdo e um escândalo se o líder de uma igreja – bispo, padre ou pastor – aproveitasse da contribuição de seus fiéis – um dinheiro sagrado, porque fruto do amor e do sacrifício de quem tem fé – para adquirir o melhor carro da paróquia, comprar fazendas, transformar sua residência num palácio e exigir salários de marajá.

Manutenção – A finalidade do dízimo é assim delineada pelo Código de Direito Canônico da Igreja Católica: «Os fiéis têm obrigação de socorrer às necessidades da Igreja, a fim de que ela possa dispor do que é necessário para o culto divino, para as obras de apostolado e de caridade e para o honesto sustento dos ministros. Devem ainda promover a justiça social e, lembrados do preceito do Senhor, socorrer os pobres com as próprias rendas».

Já no tempo de São Paulo – O dízimo está sujeito a abusos. Até São Paulo precisou se defender das críticas que lhe dirigiram alguns cristãos de Corinto: «Os ministros do culto vivem dos rendimentos do templo e quem serve ao altar participa do que é oferecido sobre o altar. O Senhor ordenou que, quem anuncia o Evangelho, viva do Evangelho» (1Cor 9,13-14).

Termômetro - Em todo o caso, se, nestes últimos anos, o PT conseguiu aumentar sua arrecadação, é porque há pessoas que acreditam na validade de seus objetivos. Da mesma forma, o dízimo é um termômetro que demonstra o grau de satisfação, de acolhida e de comunhão existente na Igreja…

Qual sua opinião sobre o assunto?



[1] Dom Redovino Rizzardo, Bispo de Dourados (MS), no artigo O que é que o dízimo revela?  publicado no site da CNBB, em 26/10/2012, acessado em 31/10/2012.